Depois de um ano desde que a nossa rotina mudou drasticamente, independentemente do tempo que você passou em isolamento social dentro de casa, pudemos perceber o quanto de coisas acumulamos. E o quanto de lixo produzimos. É surpreendente a velocidade com que enchemos a lixeira!

Em relação à moda não é diferente. A indústria têxtil é a segunda mais poluente do mundo, perdendo apenas para a indústria do petróleo. Não se trata apenas da quantidade assustadora de lixo produzido, mas também dos inúmeros problemas ambientais enfrentados em toda a cadeia produtiva e que são validados pelo sistema capitalista.

A indústria da moda é responsável por 10% das emissões de carbono na atmosfera além de envolver desperdício de água, de energia e produtos químicos no processo de produção de tecidos. (Uma calça jeans gasta aproximadamente 3.400 litros de água para ser confeccionada.)

O documentário The True Cost relata sobre os custos que a indústria da moda tem em degradação do ambiente, agricultura modificada e exploração do trabalho. Saiba mais sobre esse assunto clicando AQUI!

 Foto/Reprodução: internet

O meio ambiente suplica por uma mudança, antes que os estragos sejam irreversíveis. Nesse cenário, a pandemia do Covid-19 pode ser interpretada como o apogeu dessa súplica, pois o planeta Terra nos deu um vislumbre do que acontecerá caso continuarmos a degradá-lo no ritmo em que estamos.

“Não respeitamos o planeta até agora e de certa forma isso [pandemia] é uma mensagem e, infelizmente, é uma mensagem muito, muito pesada. Mudança tinha que ser feita. Todos pensaram que a mudança ocorreria gradualmente, mas não é esse o caso. A mudança precisa ser feita agora e rapidamente.”, explica Sara Maino, vice-editora chefe da Vogue Italia.

Nesse contexto, o conceito de Moda Circular ganhou destaque. A nova ideia mais badalada da indústria pode finalmente ser uma forma autêntica de reconciliar o amor pela moda com a sustentabilidade.

Afinal, o que é Moda Circular?

A expressão ‘jogar o lixo fora’ nos cria uma percepção muito distorcida de como os ecossistemas do planeta Terra funcionam. Não existe ‘jogar fora’, porque tudo é dentro e temos que conviver com o lixo que geramos.

Uma indústria da moda circular é aquela em que o desperdício e a poluição são eliminados e onde os sistemas naturais são regenerados. Os produtos e materiais são mantidos em uso pelo maior tempo possível, inclusive por meio da reutilização e reciclagem.

As economias de hoje são baseadas, principalmente, em um modelo linear. Recursos são extraídos do planeta, transformados em produtos e jogados fora quando não são mais necessários. Pode haver alguma reutilização e reciclagem no caminho, mas no final das contas ainda é ‘extrair, produzir, desperdiçar’.

Em contraste a isso, uma abordagem mais sustentável é mais circular. De forma geral, a ideia é manter os recursos, uma vez extraídos, em circulação pelo maior tempo possível por meio de produtos que são usados, reutilizados e podem ser facilmente reciclados.

Economia Circular

As palavras ‘sustentabilidade’, ‘ética’ e ‘eco-amigável’ já são conhecidas há alguns anos, porém, o conceito de Moda Circular é relativamente novo. Ele foi elaborado pela primeira vez em 2014, pela fundação Ellen MacArthur, a partir da ideia de Economia Circular.

O conceito de Economia Circular baseia-se em três princípios: eliminar resíduos e poluição desde o princípio (1); manter produtos e materiais em uso (2) e regenerar sistemas naturais (3). Trata-se de uma alternativa atraente que busca redefinir a noção de crescimento, com foco em benefícios para toda a sociedade.

Esse modelo parte do entendimento dos processos da natureza e sua replicação em processos industriais. Na natureza ‘nada é jogado fora, tudo retorna ao ambiente’, da mesma forma que “nada se cria, tudo se transforma”.

No meio ambiente, não há aterro sanitário. Os materiais fluem, o sol fornece energia, os resíduos de uma espécie alimentam outra e os nutrientes retornam ao solo. Nosso sistema de produção deve ser inspirado no ciclo natural da vida para que consiga fazer as pazes com o planeta Terra e minimizar os impactos humanos sobre ele.

Abaixo, assista ao vídeo explicativo (e muito fofo!) da Fundação Ellen MacArthur sobre o conceito central de Economia Circular.

Produção sustentável

Sobretudo, um modelo circular é mais do que apenas uma abordagem não linear com foco em nenhum desperdício. Ele também garante que as partes de extração de recursos virgens e sua transformação em produtos também sejam sustentáveis e renováveis.

Por fim, um modelo circular também considera a fase final de vida do produto, onde se o produto não puder mais ser usado inteiro, em suas partes ou reciclado em matéria-prima, pode ser descartado sem agredir o meio ambiente.

É sobre desenvolver roupas já pensando no seu final (o momento em que o produto não será mais usado) para permitir o seu retorno para o próximo ciclo. Seja à natureza ou ao próximo ciclo de produção.

A responsabilidade de transformar a indústria da moda rumo à uma economia mais circular não está na mão apenas das marcas e empresas de moda. Todos têm um papel fundamental nesse processo e nós, consumidores, podemos colaborar com isso!

Conheça 4 passos para promover a Moda Circular, que você já pode colocar em prática hoje mesmo: 

1. Compre roupas de segunda-mão

Reutilizar é o passo mais simples para adentrar neste sistema e o mercado está em alta. Segundo o relatório de revenda 2020 (ThredUp), a previsão é que o mercado de segunda mão de moda ultrapasse o fast fashion em 2029!

Além do preço incrível comparado com o valor de uma roupa nova, comprar de segunda mão tem muitos outros benefícios. Você consegue encontrar ‘achados’ de peças maravilhosas, exclusivas e atemporais, que podem compor looks criativos, misturando o novo com o velho.

Foto/Reprodução: internet

2. Venda suas roupas para brechós

Sabe aquela peça de roupa que você comprou há alguns anos atrás porque estava na moda, usou duas vezes (ou nem usou!) e está mofando no guarda-roupa? Que tal vendê-la?

Ao colocar uma peça de roupa à venda em brechós, você incentiva a economia circular e a rede cresce. Sabia que dar uma segunda vida a uma peça de roupa diminui em até 79% o seu impacto em CO2? E você ainda sai no lucro!

Foto/Reprodução: internet

3. Compre de marcas com ações sustentáveis

O lucro das vendas para brechós pode ser investido em roupas novas que tenham mais a ver com sua fase atual. Porém, quando for comprar peças de primeira mão, informe-se sobre a marca!

Já existem muitas marcas engajadas em um sistema de produção menos agressivo ao meio e/ou que fazem parcerias com empresas terceirizadas para compensar seu impacto ambiental.

Direto do Rio Grande do Sul, os sapatos da Insecta Shoes são veganos e sustentáveis, confeccionados também a partir de roupas usadas, algodão reciclável e de garrafas plásticas recicláveis.

4. Promova o upcycling

Quando cansar de usar suas roupas na forma original, dê um novo significado a elas! Costure, customize, conserte e ressignifique uma peça antes de pensar em substituí-la por uma nova. Seja para você voltar a usá-la, seja para recolocá-la no mercado

Foto/Reprodução: internet

P.S: Depois de ter lido esse post, não confunda o conceito de Moda Circular com Moda Cíclica! O conceito de Moda Cíclica refere-se àquelas tendências que vão e vêm, como em um ciclo. Um ótimo exemplo são as pochetes (aposto que você virava o nariz para elas, não é mesmo? Porém, com certeza, tem uma em seu guarda-roupas agora.

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